Da engenharia da tortura à naturalidade do corpo


  Você conhece a história da corseteria? Já parou para pensar como todas aquelas barbatanas chegaram à indumentária feminina? A Intensify.me trabalha para manter o conforto e a feminilidade da mulher na delicadeza, no poder principalmente no dia-a-dia e, por isso, achamos importante compartilhar com vocês como a história da nossa roupa íntima já foi – muito – diferente da que vemos hoje.

 

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  O corset foi usado desde o século XVI e em cada época teve sua forma de deformar e adequar o corpo da mulher às imposições e gostos de sua época. Ele foi (e é) uma das peças mais elaboradas do vestuário feminino, com sua engenharia rígida e sua capacidade de modificar sem dó o corpo de quem o usa.

  Essa peça – como o próprio nome, derivado da língua francesa, diz, corps de corpo e serrer de fortemente apertado – é constituída de barbatanas que apertam e modificam as formas do nosso corpo, afinando cintura, subindo os seios e modificando todas nossas curvas em troca de desmaios, dificuldade de respirar, dificuldade de locomoção e órgãos esmagados (literamente).

  Até 1910, eles eram basicamente obrigatórios nos trajes das mulheres. Foi só quando o estilista francês Paul Poiret, inspirado no balé russo de Diaghileu, criou uma tendência de silhueta que respeitava as formas do corpo feminino, com tecidos e modelos esvoaçantes, que as mulheres conseguiram se ver socialmente livres da peça – razão pela qual Poiret conhecido como o estilista que libertou as mulheres (não que acreditemos que a intenção dele fosse realmente libertar a gente, mas valeu o feito).

 

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  O corset foi, originalmente, uma gaiola de ferro inventada para fins ortopédicos e usado por aqueles que tinham algum problema na coluna vertebral. Entre o século XVI e o século XIX, foi repaginado e adequado à silhueta “ideal” de cada período sem nunca sair de cena
ou perder a sua função de torturar o corpo feminino. No século XVI, possuía uma chapa de madeira ou marfim para manter a frente da peça rígida. No século XVII, o corset virou uma peça separada do corpo e ganhou também finalidade estética.

  No século XVIII, foi desenhado de forma a acomodar também as anquinhas usadas para determinar o volume da saia e a chapa central foi substituída por várias barbatanas de baleia. No século XIX, as aberturas frontais já estavam completamente extintas e era necessário ajuda para vestir a própria roupa. Nessa época, os corsets ganharam uma variedade maior, podendo descer até o quadril e achatando-o como nos anos 20 ou com decotes abaixo dos seios no modelo que hoje conhecemos como underbust.

  Essa peça teve uma importância muito grande tanto na história da moda quanto no papel ocupado pela mulher na sociedade. Por conta dos desmaios causados pelo aperto da peça, a mulher passou a ser considerada uma dama frágil e seus desmaios passaram a ser admirado pelos homens, como se aquela dama necessitasse de um cavalheiro para lhe proteger. Além disso, existe o famoso padrão - que se mantém até hoje - que matou mulheres em nome da cintura fina: naquela época uma cintura ideal teria apenas 40cm!

Você consegue imaginar?

“... a cintura se tornava sempre mais estreita e o espartilho estrangulava a cintura mais e mais, tornando os volumes das saias maiores ainda, conferindo ao corpo feminino a forma de uma clepsidra. As meninas deviam entrar nesse processo de transformação: desde pequenas, tinham de aprender que, para serem aceitas nos padrões vigentes, deveriam ser submetidas às torturas da moda. Vários anúncios de espartilhos aconselhavam as mães a deitarem suas filhas de costas no chão para poderem melhor os cadarços desse acessório” (Moda e Arte na reinvindicação do corpo feminino do século XIX: Maria Alice Ximenes, p.57.)

 

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  É por conta de toda essa história cheia de desconforto que a Intensify.me traz uma proposta diferente para as mulheres. Já passou da hora de o nosso conforto vir em primeiro lugar, não?

  Em cada momento da história, a moda, e a sociedade inventaram um modelo de corpo que as mulheres deveriam perseguir. Queremos trazer para essa década e para as gerações que estão por vir a moda do nosso próprio corpo. A moda da diferença, do amor próprio, da aceitação, da naturalidade.

  Criamos para as mulheres se sentirem livres, confiantes e confortáveis para sair e desbravar o mundo.

Como ouvimos por aí,
Ninguém segura uma mulher segura.

 

- Texto por Rafaela Fernandes 


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